Letícia França
Mas antes do fim, peço licença para
proferir algumas breves palavras, na tentativa de traduzir tudo o que nós,
formandos, vivemos ao longo desses quatro anos aqui no IFRN.
Começo este meu discurso citando Renato
Russo e Cássia Eller, dois grandes poetas da música brasileira. Na canção “Por
Enquanto”, eles indagam: “Se lembra quando a gente chegou um dia a
acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre sempre
acaba? ”. Deixarei essa pergunta no ar, mas prometo respondê-la ao fim do
texto. Antes, porém, convido-os a, junto comigo, viajar no tempo e focarmos
nossos pensamentos no dia 16 de abril de 2012.
Naquele dia, demos início ao que hoje
podemos chamar de “A Melhor Fase de Nossas Vidas”. Ao cruzarmos, pela primeira
vez, o portão do IFRN como alunos, fomos tomados por uma confusão de
sentimentos: ansiedade, nervosismo, medo, insegurança, mas, principalmente,
felicidade. Para muitos, ser aluno do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Rio Grande do Norte sempre foi um sonho; muitas vezes, um sonho
passado de pai para filho. Por isso, estar ali naquele ambiente, até então,
desconhecido, era o primeiro passo para concretizar algo que por anos foi nossa
principal meta.
No início, quando o verde das nossas
fardas ainda estava na sua cor mais intensa, tudo era novidade para nós. Conhecemos
nossos colegas de turma e, aos poucos, fomos descobrindo que naquele lugar,
carinhosamente chamado de “IF”, não existia classe social. Ricos ou pobres, não
importava... Éramos todos alunos e, portanto, tratados igualmente. Descobrimos
também que existem várias formas de pensar, de falar, de se vestir, de viver. E
foi justamente essa diversidade de jeitos que fez do IF um dos melhores lugares
para se conhecer pessoas que combinam com a gente e, a partir disso, construir
lindas amizades ou, até mesmo, lindos amores.
Foi também no início que arriscamos
desvendar os diversos espaços desse grandioso IFRN-CNAT. Nos perdemos entre
corredores e, por vezes, confiamos nas orientações dadas pelos nossos colegas
veteranos. De tanto subir as longas rampas do bloco C, ficamos craques no
trajeto e hoje podemos dizer que conhecemos todos – ou quase todos – os espaços
dessa escola.
Com o passar do tempo, quando o verde
das nossas fardas foi perdendo um pouco da sua intensidade, tudo já nos parecia
bem mais familiar. Começaram então os primeiros desafios. Percebemos que as
provas eram realmente difíceis e que os professores não faziam o tipo
“bonzinhos”. Descobrimos que a nota 6,0 não é tão ruim assim; e que, para
tirarmos mais que 6,0, teríamos que perder algumas noites de sono. Inclusive, depois
notamos que perder noites de sono já fazia parte das nossas rotinas. Nesse meio
tempo, tivemos a oportunidade de deixar a timidez de lado e dar lugar ao
artista que mora dentro da gente: esquetes de português, curtas-metragens,
peças de artes cênicas, sem falar nos tantos seminários que tivemos que
apresentar. Ensaiamos, aprendemos, ousamos... Saímos de nós mesmos e vivemos a
arte na sua mais bela forma. Mas não parou por aí!
Posteriormente, quando o verde das nossas
fardas já foi dando lugar a um verde clarinho, nos demos conta que o tempo
estava realmente passando. Começamos a enfrentar desafios mais árduos. As 24
horas do dia já não nos eram suficientes. Precisávamos conciliar as aulas no
IF, com os estudos para o ENEM e, em alguns casos, com as horas de estágio. Foi
preciso que deixássemos nossas vidas sociais um pouco de lado e que usássemos
os fins de semana para colocar a matéria em dia. Dormir mais que seis horas?
Nem pensar! Tudo isso para fazer valer um sonho. E, hoje, vemos que valeu...
Valeu muito à pena!
Durante a nossa estadia no IFRN, nos
demos conta de que aqui já era o nosso segundo lar. E, como todo lar, ganhamos
também uma família. Uma família ENORME, diga-se de passagem! Uma família que
não possui laços de sangue, mas possui laços de puro amor! A grande família
IFRN é formada por nós, alunos, que embora numerosos, podemos ter a certeza de
que cada um, individualmente, teve a sua parcela de importância aqui nesta
instituição.
Além de nós alunos, essa família também
é composta pelos nossos queridos professores! Ah... O que seria da educação sem
vocês?! Vocês que tantos se doam para manter um ensino de qualidade; vocês que,
apesar de todas as injustiças, amam lecionar e não se imaginam fazendo outra
coisa. Vocês foram fundamentais nessa nossa jornada, por isso, a vocês, a nossa
eterna gratidão!
Não podemos esquecer também daqueles que
são a estrutura dessa nossa instituição: técnicos administrativos e
funcionários terceirizados. A vocês que organizam tudo para que possamos
usufruir do melhor serviço, o nosso muito obrigado! E em especial, ao pessoal
da limpeza e da jardinagem, que na maioria das vezes não sabemos os seus nomes,
mas que, ainda assim, nos fazem sentir amor a cada espaço limpo e a cada flor
plantada. Vocês trazem cor para o nosso IFRN, por isso muito obrigado!
Aproveitamos também para agradecer às
nossas famílias de sangue e aos nossos amigos, que durante esses quatro anos,
compreenderam nossas ausências e nos apoiaram em todos os momentos.
E, em especial, juntamente com aqueles
que nEle acreditam, agradecemos a Deus por ter nos dado a oportunidade de viver
essa experiência maravilhosa e, apesar de todos os tropeços e dificuldades,
termos tido forças para chegarmos até aqui.
Pois é, caros colegas formandos, estamos
nos aproximando do fim. Nesse momento, o coração começa a ficar apertadinho e
as lágrimas que guardamos durante tanto tempo talvez estejam implorando para
caírem. Estamos perto de dizer adeus. E quanto tempo esperamos por isso, não é
mesmo?! Quando estávamos cansados, o que nos motivava a continuar era
justamente a vontade de chegarmos até aqui onde estamos: sentados nesse
ginásio, vestidos maravilhosamente com essas becas e esperando a oficialização
daquilo que tanto sonhamos: Sermos Técnicos! O caminho foi longo, a batalha foi
intensa, os aprendizados foram imensuráveis... Mas... Chegamos até aqui!
Quando cruzarmos o portão do IFRN pela
primeira vez como técnicos formados, teremos a sensação de dever cumprido. As
rosquinhas se tornarão pequenas para nós. Vamos alçar novos voos, desvendar
novos mundos, ainda maiores que o IF. Porém, sempre com a certeza de que a
bagagem de experiências que temos o privilégio de carregar graças a essa escola
será sempre o nosso melhor e maior suporte. Estamos saindo daqui adultos,
maduros e prontos para enfrentar um mundo que, infelizmente ou felizmente, não
é nada parecido com um conto de fadas. É o mundo de verdade e que exigirá de
nós muita ousadia e força de vontade. E isso nós temos de sobra!
Assim como o dia 16 de abril de 2012,
quando os nossos corações estavam repletos de felicidade por estarmos dando
início a um novo ciclo; hoje, dia 30 de abril de 2016, quatro anos depois, os
nossos corações enchem-se de felicidade por estarmos fechando esse ciclo.
Mas antes de finalizar este texto,
preciso cumprir uma promessa: responder à pergunta feita por Renato Russo e Cássia
Eller:
“Se lembra quando a gente chegou um
dia a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o ‘pra sempre’ sempre
acaba? ”.
Em nome dos formandos aqui presentes, eu
respondo com toda a certeza do meu coração: “Sim, eu lembro! Tivemos a audácia
de, durante quatro anos, acreditar que esse “pra sempre” nunca acabaria; mas,
pelo que parece, ele está acabando”. No entanto, com a ousadia que adquirimos
dentro dessa instituição, mudaremos o rumo dessa história e faremos com que
seja, sim, para sempre. Só depende de nós! Por isso, peço que nunca nos
esqueçamos dessa época. Façamos com que seja para sempre! Que, quando o verde
da nossa farda tiver dado, por completo, lugar ao branco e o cheiro de guardado
estiver impregnado nela, possamos olhar para as nossas fotos no IFRN e nos
lembrarmos com amor da “Melhor Fase de Nossas Vidas”! E, parafraseando os
músicos brasileiros já antes citados, lembrem-se: “Estamos indo de volta para
casa, mas nada vai conseguir mudar o que ficou!”.
Queridos amigos técnicos-cidadãos, a
nossa viagem no tempo chegou ao presente, mas desejo fielmente que o nosso
próximo encontro seja em um futuro brilhante! Muito obrigada!

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