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sexta-feira, 31 de março de 2017

Carta aberta às mulheres, estudantes e profissionais, que compõem a UFRN

(Foto: Internet / Letreiro Campus Universitario - UFRN)
       Queridas mulheres,
Hoje não é o dia 8 de março, mais conhecido como “Dia Internacional da Mulher”. Hoje vocês não receberam flores, nem homenagens estampadas nas redes sociais. Hoje não há propagandas na TV agradecendo pelas vossas vidas, muito menos shoppings lotados de esposos em busca do presente ideal para suas amadas. Hoje é apenas mais um dia comum de vossas rotinasVocês, possivelmente, como todos os dias, se dirigiram à Universidade Federal do Rio Grande do Norte para assistir e/ou ministrar suas aulas. Tudo aparentemente normal. Porém, caras mulheres, infelizmente hoje pode, como em um piscar de olhos, acabar se tornando o dia mais traumático de vossas vidas. Se não hoje, amanhã. Ou depois de amanhã. Ou, ainda, na semana que vem. A qualquer momento, no meio da sua rotina diária, quando você menos esperar, pode aparecer um sujeito aparentemente normal e despejar em você uma tonelada de preconceito, machismo e falta de respeito. Esse sujeito aparentemente normal pode se achar no direito de te perseguir pelos corredores da Universidade praticando aquele que podemos chamar do pior tipo de assédio: o assédio sexual. 
   “Como assim ninguém fez nada?” Perdi as contas de quantas vezes eu li essa frase, enquanto rolava os comentários de uma publicação no Facebook. 
Na última terça-feira (28), o relato de uma vítima de assédio sexual chocou os leitores da página Spotted UFRN 2.0, no Facebook. No depoimento, a moça – que preferiu não se identificar – conta o drama que viveu ao sair de sua aula na UFRN, às 12h40, e ser perseguida por um homem até a parada do ônibus Circular, próximo ao Via- Direta. O assediador despiu-se diante dela, ameaçando-a. “Tive medo, nojo, raiva, pavor. Ódio. Gritei por socorro e arremessei minha mochila nele. Gritei novamente, mas ninguém parecia me ouvir. Tive a sensação de ser uma alma penada em meio a uma multidão de pessoas vivas, pois todas olhavam, mas ninguém fazia nada. ABSOLUTAMENTE NADA!”, declara a estudante. 
  Como a vítima não se identificou, não há comprovações de que o relato seja verídico. No entanto, sendo verdade ou não, esse depoimento me causou repúdio e medo. Além disso, me chamou atenção os comentários dos internautas na publicação. Enquanto algumas mulheres questionavam o porquê de ninguém ter feito nada diante daquela situação absurda, outras se solidarizavam e testemunhavam dramas reais, semelhantes a esse, que também viveram dentro da UFRN. Na sala de aula, nos corredores, nos banheiros, nas paradas de ônibus, no Circular. De dia, de tarde, de noite. O assédio sexual dentro da Universidade, infelizmente, existe. Isso é real! E, assim como aquelas quase 600 pessoas que comentaram a publicação, o questionamento revoltante que me vem à mente é: “Como assim ninguém faz nada?” 
  Por isso, mulheres, faço um apelo a vocês. Vamos unir nossas forças e fazer alguma coisa. Não podemos permitir que mais casos como esse se repitam. Precisamos estar atentas umas às outras e procurar ouvir os pedidos de socorro que ecoam pelos mais diversos lugares daquela instituição. Ouçamos os gritos, mas também enxerguemos os passos apressados e os olhares apreensivos. Não nos calemos diante da perseguição e da falta de respeito que, por vezes, nos rodeiam. Que possamos ter a certeza de que não estamos sozinhas, de modo a não permitir que, diante de situações como a que foi relatada, o grito da vítima seja abafado. Só nós, mulheres, sabemos como é difícil, todos os dias, sair de casa carregando consigo um medo de, a qualquer momento, um sujeito aparentemente normal surgir ao nosso lado com a intenção de fazer uma crueldade. Só nós, mulheres, sabemos o que é se sentir vulnerável em absolutamente todos os lugares que frequenta. Na universidade, no trabalho, na rua, em qualquer lugar.  
  Portanto, queridas mulheres, não nos calemos diante de situações como essa e tenhamos a atitude de denunciar todos os casos de assédio que presenciarmos. Assim, daremos o primeiro passo rumo a uma sociedade livre de “sujeitos aparentemente normais” que destroem o nosso psicológico, o nosso corpo e, principalmente, a nossa vida.
Letícia França

Para os casos que ocorrerem no interior da UFRN, procure a segurança local ou, ainda, denuncie por meio da Ouvidoria. Além disso, é importante se dirigir à delegacia mais próxima e registrar um Boletim de Ocorrência.

*Texto produzido para a disciplina de Língua Portuguesa, no curso de Jornalismo da UFRN.

Uma rua, mil lembranças

(Foto: José Filipe / Fim de tarde na Rua Escritora Myriam Coeli)

Letícia França

Quando recebi a missão de escrever sobre a rua na qual resido, automaticamente passei a observá-la com novos olhos. Percebi os detalhes que, até então, nunca tinham chamado a minha atenção. Forcei-me a ressaltar suas qualidades e investigar a sua história. O engraçado é que, em um primeiro instante, achei que não teria o que falar sobre ela; afinal, o que pode ter de tão interessante em uma rua a ponto de se escrever sobre isso? Após muito pensar, descobri que todo e qualquer assunto, independentemente de seu teor, pode render ótimos textos. Basta, para isso, usar a criatividade a seu favor.  
Passado esse momento de reflexão, vamos finalmente falar sobre ela: a simples, singela e acolhedora Rua Escritora Myriam Coeli. Localizada na zona oeste da cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte, possui duas extremidades bastante distintas, as quais são delimitadas pelo cruzamento com a Avenida Potiguares. Por causa disso, além de aparentar serem duas ruas em uma só, essas extremidades pertencem cada qual a um bairro: Lagoa Nova e Dix-Sept Rosado. Por isso, nunca sei dizer exatamente em qual bairro moro. Meus vizinhos dizem que moramos em Lagoa Nova, mas as correspondências que chegam pelos Correios sempre ditam Dix-Sept Rosado. É confuso, mas no final o que importa é que: resido na Rua Escritora Myriam Coeli, e que honra tenho disso! 
Honra? Explico! Pesquisando a biografia da escritora que dá nome ao endereço da minha casa, descobri fatos admiráveis sobre ela: Myriam Coeli nasceu na região Norte do país, em 1926, mas com apenas dois meses de idade mudou-se para São José do Mipibu/RN, local onde viveu por anos. Teve uma vida acadêmica exemplar e destacou-se como sendo um dos nomes mais representativos da intelectualidade potiguar. Sempre lidou bem com as palavras, fato que fez dela professora, poetisa e jornalista. Numa época em que as redações dos jornais era lugar quase exclusivo para homens, Myriam Coeli conseguiu seu espaço e honrou sua profissão de jornalista, sendo – segundo relatos – a primeira mulher do Rio Grande do Norte a atuar nessa área.  
O mais interessante é que só agora tive a curiosidade de pesquisar sobre a escritora e tamanha foi a minha surpresa ao descobrir sua atuação no jornalismo. E, mais que isso, perceber que ela dá nome à rua em que moro desde a minha infância – época em que eu, apesar da pouca idade, decidi o que eu queria ser quando crescesse: isso mesmo, jornalista! Coincidência ou destino? Não sei! Mas vamos continuar esse texto, pois ainda tenho muito a falar (quem diria, né?). 
Paralelepípedos tortos e alguns buracos pelo caminho trazem consigo muitas histórias para contar. Os vizinhos, hoje beirando a velhice, se conhecem desde a infância. Meu pai, por exemplo, tinha apenas sete anos de idade quando se mudou para lá com os meus avós. Com muito esforço, construíram uma grande casa na extremidade de Dix-Sept Rosado, abrigando, por muito tempo, cinco filhos e mais os primos agregados. Quando nasci, meu pai construiu um primeiro andar em cima dessa casa e moramos por lá durante anos. Tive uma infância memorável! Diferentemente dos dias atuais, lugar de brincar era na rua e os meus melhores amigos eram as crianças da vizinhança. Toda tarde, a rua Escritora Myriam Coeli virava casinha de boneca, campo de futebol, escolinha, pista de corrida, ciclovia etc. Inúmeras eram as brincadeiras e a diversão era sempre garantida. Por vezes, chão cinza da rua fez sangrar o meu joelho, mas as cicatrizes que ficaram me fazem lembrar com carinho de uma Myriam Coeli que, infelizmente, não volta mais.  
Quando eu tinha por volta dos onze anos, a minha família decidiu se mudar. Foi como um parto para mim. Dar adeus não foi nada fácil! Demorei para me acostumar a viver em um novo endereço, onde não havia os mesmos vizinhos, nem a mesma tranquilidade, nem os mesmos paralelepípedos tortos; não havia mais a capelinha das missas aos domingos, nem o mercadinho de “Seu Damião” para comprar o lanche da tarde. O novo endereço era feito de asfalto, trânsito e movimentação. Andar de bicicleta? Nem pensar! Brincar com os vizinhos? Jamais, eu nem sabia o nome deles!  
Mas a saudade nos fez voltar. Em 2013, o meu pai construiu uma nova casa para a nossa família. Na mesma rua Myriam Coeli, porém, dessa vez, na outra extremidade: Lagoa Nova. A única semelhança são os paralelepípedos tortos, visto que os vizinhos se mudaram, a tranquilidade deu lugar à insegurança e o silêncio nas calçadas denuncia que não há mais crianças brincando por lá. Infelizmente, andamos com medo e apressados; e os portões vivem sempre trancados. Apesar de tudo isso, no entanto, a Rua Escritora Myriam Coeli continua sendo o meu lar, que abriga mil lembranças boas e que me presenteia, todos os dias, com um pôr do sol bonito de se ver.  

*Texto produzido para a disciplina de Laboratório de Linguagem Jornalística, do curso de Jornalismo da UFRN. 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

4 anos de muita história pra contar



4 anos de muita história pra contar

05 de fevereiro de 2013. Um, dois, três, quatro anos. E cá estamos nós: felizes com mais um dia 05 de fevereiro. Por isso, hoje decidi não poupar palavras. Decidi que preciso falar de você, de mim e desse "nós" que tanto me enche de gratidão. 

Lembro-me claramente daquela terça-feira à noite, lá no início de 2013, quando tudo isso oficialmente começou. Saímos apressados do IF para não perder o ônibus das 18h. Era dia de ir pro Shalom, para o nosso grupo de oração (Saudades, Hesed!). Tudo estava aparentemente normal. Rotina comum de uma terça-feira. Fazíamos isso sempre. Mal sabia eu que de comum aquele dia não teria nada. Chegando no Shalom, Deus veio confirmar aquilo que o meu coração já sabia há tempos: "é ele!" Então foi ali, naquela salinha apertada do Shalom, ao lado dos nossos irmãos de grupo, que eu disse sim para a maior e mais linda aventura que eu já me permiti viver: o nosso namoro. O dia 5 de fevereiro passou, então, a ser a nossa data favorita. 

Mas a verdade é que o sentimento já tinha nascido MUITO antes. Nos conhecemos na infância e, apesar das nossas memórias daquela época não serem tão nítidas, é maravilhoso saber que hoje namoro um alguém que, quando criança, brincava comigo pelos corredores do Shalom. É aquela coisa: Deus já tinha preparado tudo! 

Acamp's de 2012. Nos reencontramos. Em algum momento do acampamento, o cara no microfone orientou "procure alguém que você ainda não conhece". Olhei pro lado e te vi. Sorrimos um pro outro, como meros desconhecidos. Formamos dupla, cantamos, dançamos e tchau. Cada um foi pro seu lado. Meros desconhecidos, afinal. Depois te vi novamente no ônibus quando estávamos voltando para casa, mas você não me viu (eu acho). E essas são as duas únicas lembranças que tenho de você naquele Acamp's. 

Primeiro dia do grupo de oração. Lá estava você! "Deixa eu tirar uma dúvida: seu nome é André ou Victor?", perguntei. "Os dois!", você disse, e rimos. (14 anos. Isso justifica o diálogo infantil, ok?) Uma semana depois: segundo dia do grupo de oração. "Eu acho que te conheço de algum lugar", dizíamos um ao outro. Pensamos, pensamos, pensamos e... "Ai meu Deus, a gente brincava junto quando era criança!" Enfim, lembramos! 

E foi assim que tudo começou. Passamos de meros desconhecidos para colegas. Após algumas conversas, viramos amigos. Nos adicionamos no Facebook e passamos a nos falar todos os dias, o tempo inteiro. Tínhamos muitas coisas em comum, mas a principal delas era o fato de sermos calouros do IFRN. Você em eletrotécnica vespertino. Eu em administração matutino. Mas a diferença de turnos não era um problema. Nos horários vagos, nos encontrávamos na biblioteca para você me ensinar física. E foi assim que passamos de amigos para melhores amigos. 

Então o meu melhor amigo virou o meu amor. Nos apaixonamos do mesmo jeito que alguém pega no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para a outra. (roubei essa frase de um filme). Certo dia, no meio da minha rotina louca, recebi um SMS em que dizia: "Eu te amo, Lelê!" Chequei o remetente: "Andrézito". Precisei ler a mensagem umas dez vezes seguidas até ter certeza de que aquilo era real. Só sorri, fechei os olhos e agradeci a Deus pelo sentimento recíproco que ali nascia. 

No início, foi preciso enfrentar alguns pequenos obstáculos. Mas, depois que deu tudo certo, chegamos à conclusão que a graça estava justamente nas dificuldades (como tudo na vida!) Enfim, começamos a namorar. E assim volto ao início deste texto: 05 de fevereiro de 2013.

Quatro anos já se passaram e muita coisa aconteceu de lá pra cá. Vivemos momentos incríveis, inesquecíveis e indescritíveis. Crescemos e amadurecemos juntos. Saboreamos a vida, fizemos novas amizades, demos risadas. Torcemos um pelo outro e, de mãos dadas, estivemos juntos nas nossas melhores e maiores vitórias. Nos amamos! Descobrimos falhas, pisamos na bola, fomos sugados pela rotina e, por um fio, não jogamos tudo por alto. Choramos, brigamos e apertamos o botão de "pausa". Quase acabou. Mas um sentimento chamado amor nos fez ficar e recomeçar. E tentar de novo. E mudar pra melhor! E deu certo. E tem dado certo. E tenho certeza que dará sempre certo, porque o que nos une vai muito além de qualquer diferença. "A diferença não faz diferença", e assim seguimos conversando sobre a vida e planejando tudo que ainda temos para viver. Já estamos juntos há 1460 dias, mas sei que isso é apenas o começo de uma aventura que não tem previsão para acabar. 

Confesso que chega a ser difícil lembrar de como era a minha vida quando você não estava nela, e mais difícil ainda é imaginar um futuro em que você não esteja. Encontrei em você a minha felicidade e é impossível explicar em palavras o quanto sou grata por tudo isso. A sintonia, o companheirismo e a cumplicidade que temos me faz acreditar que os nossos destinos foram realmente traçados na maternidade. 

Um "muito obrigada" jamais será suficiente para expressar o tamanho da minha gratidão por você. Meu bê, meu príncipe, meu mor... Obrigada por ser você! Você que me conhece mais que eu mesma, que sabe de cor todas as minhas manias, que tem o abraço mais confortante e quentinho. Você que ouve com atenção os meus desabafos e sempre sabe o que dizer. Você que reconhece de longe a minha TPM e traz chocolate pra me deixar melhor. Você que apoia as minhas ideias e sempre me explica algo novo. Que assiste filmes de amorzinho comigo, que me ensina sobre super-heróis e rock. Você que me dá flores e aprende no violão as minhas músicas favoritas. Você que esbarrou comigo pelas estradas da vida e topou ser pra sempre meu companheiro de viagem. Você que é assim... Do jeitinho que é! Obrigada por isso e por tudo, mas principalmente por me mostrar o que é amor. 

Feliz 4 anos de muita história pra contar! <3 A cada dia, te amo infinitamente mais.

Com carinho,
Doutora Lelê.

sábado, 12 de novembro de 2016

Sem saber que o "pra sempre" sempre acaba | Discurso de Oradora IFRN

Letícia França

Ufa! Enfim, podemos respirar aliviados, porque mais uma etapa de nossas vidas está sendo concluída com sucesso. Em instantes, jogaremos nossos capelos para cima em um gesto de liberdade e poderemos, finalmente, gritar em alto e bom som: “Acabou!”
Mas antes do fim, peço licença para proferir algumas breves palavras, na tentativa de traduzir tudo o que nós, formandos, vivemos ao longo desses quatro anos aqui no IFRN.
Começo este meu discurso citando Renato Russo e Cássia Eller, dois grandes poetas da música brasileira. Na canção “Por Enquanto”, eles indagam: “Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre sempre acaba? ”. Deixarei essa pergunta no ar, mas prometo respondê-la ao fim do texto. Antes, porém, convido-os a, junto comigo, viajar no tempo e focarmos nossos pensamentos no dia 16 de abril de 2012.
Naquele dia, demos início ao que hoje podemos chamar de “A Melhor Fase de Nossas Vidas”. Ao cruzarmos, pela primeira vez, o portão do IFRN como alunos, fomos tomados por uma confusão de sentimentos: ansiedade, nervosismo, medo, insegurança, mas, principalmente, felicidade. Para muitos, ser aluno do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte sempre foi um sonho; muitas vezes, um sonho passado de pai para filho. Por isso, estar ali naquele ambiente, até então, desconhecido, era o primeiro passo para concretizar algo que por anos foi nossa principal meta.
No início, quando o verde das nossas fardas ainda estava na sua cor mais intensa, tudo era novidade para nós. Conhecemos nossos colegas de turma e, aos poucos, fomos descobrindo que naquele lugar, carinhosamente chamado de “IF”, não existia classe social. Ricos ou pobres, não importava... Éramos todos alunos e, portanto, tratados igualmente. Descobrimos também que existem várias formas de pensar, de falar, de se vestir, de viver. E foi justamente essa diversidade de jeitos que fez do IF um dos melhores lugares para se conhecer pessoas que combinam com a gente e, a partir disso, construir lindas amizades ou, até mesmo, lindos amores.
Foi também no início que arriscamos desvendar os diversos espaços desse grandioso IFRN-CNAT. Nos perdemos entre corredores e, por vezes, confiamos nas orientações dadas pelos nossos colegas veteranos. De tanto subir as longas rampas do bloco C, ficamos craques no trajeto e hoje podemos dizer que conhecemos todos – ou quase todos – os espaços dessa escola.
Com o passar do tempo, quando o verde das nossas fardas foi perdendo um pouco da sua intensidade, tudo já nos parecia bem mais familiar. Começaram então os primeiros desafios. Percebemos que as provas eram realmente difíceis e que os professores não faziam o tipo “bonzinhos”. Descobrimos que a nota 6,0 não é tão ruim assim; e que, para tirarmos mais que 6,0, teríamos que perder algumas noites de sono. Inclusive, depois notamos que perder noites de sono já fazia parte das nossas rotinas. Nesse meio tempo, tivemos a oportunidade de deixar a timidez de lado e dar lugar ao artista que mora dentro da gente: esquetes de português, curtas-metragens, peças de artes cênicas, sem falar nos tantos seminários que tivemos que apresentar. Ensaiamos, aprendemos, ousamos... Saímos de nós mesmos e vivemos a arte na sua mais bela forma. Mas não parou por aí!
Posteriormente, quando o verde das nossas fardas já foi dando lugar a um verde clarinho, nos demos conta que o tempo estava realmente passando. Começamos a enfrentar desafios mais árduos. As 24 horas do dia já não nos eram suficientes. Precisávamos conciliar as aulas no IF, com os estudos para o ENEM e, em alguns casos, com as horas de estágio. Foi preciso que deixássemos nossas vidas sociais um pouco de lado e que usássemos os fins de semana para colocar a matéria em dia. Dormir mais que seis horas? Nem pensar! Tudo isso para fazer valer um sonho. E, hoje, vemos que valeu... Valeu muito à pena!
Durante a nossa estadia no IFRN, nos demos conta de que aqui já era o nosso segundo lar. E, como todo lar, ganhamos também uma família. Uma família ENORME, diga-se de passagem! Uma família que não possui laços de sangue, mas possui laços de puro amor! A grande família IFRN é formada por nós, alunos, que embora numerosos, podemos ter a certeza de que cada um, individualmente, teve a sua parcela de importância aqui nesta instituição.
Além de nós alunos, essa família também é composta pelos nossos queridos professores! Ah... O que seria da educação sem vocês?! Vocês que tantos se doam para manter um ensino de qualidade; vocês que, apesar de todas as injustiças, amam lecionar e não se imaginam fazendo outra coisa. Vocês foram fundamentais nessa nossa jornada, por isso, a vocês, a nossa eterna gratidão!
Não podemos esquecer também daqueles que são a estrutura dessa nossa instituição: técnicos administrativos e funcionários terceirizados. A vocês que organizam tudo para que possamos usufruir do melhor serviço, o nosso muito obrigado! E em especial, ao pessoal da limpeza e da jardinagem, que na maioria das vezes não sabemos os seus nomes, mas que, ainda assim, nos fazem sentir amor a cada espaço limpo e a cada flor plantada. Vocês trazem cor para o nosso IFRN, por isso muito obrigado!
Aproveitamos também para agradecer às nossas famílias de sangue e aos nossos amigos, que durante esses quatro anos, compreenderam nossas ausências e nos apoiaram em todos os momentos.
E, em especial, juntamente com aqueles que nEle acreditam, agradecemos a Deus por ter nos dado a oportunidade de viver essa experiência maravilhosa e, apesar de todos os tropeços e dificuldades, termos tido forças para chegarmos até aqui.
Pois é, caros colegas formandos, estamos nos aproximando do fim. Nesse momento, o coração começa a ficar apertadinho e as lágrimas que guardamos durante tanto tempo talvez estejam implorando para caírem. Estamos perto de dizer adeus. E quanto tempo esperamos por isso, não é mesmo?! Quando estávamos cansados, o que nos motivava a continuar era justamente a vontade de chegarmos até aqui onde estamos: sentados nesse ginásio, vestidos maravilhosamente com essas becas e esperando a oficialização daquilo que tanto sonhamos: Sermos Técnicos! O caminho foi longo, a batalha foi intensa, os aprendizados foram imensuráveis... Mas... Chegamos até aqui!
Quando cruzarmos o portão do IFRN pela primeira vez como técnicos formados, teremos a sensação de dever cumprido. As rosquinhas se tornarão pequenas para nós. Vamos alçar novos voos, desvendar novos mundos, ainda maiores que o IF. Porém, sempre com a certeza de que a bagagem de experiências que temos o privilégio de carregar graças a essa escola será sempre o nosso melhor e maior suporte. Estamos saindo daqui adultos, maduros e prontos para enfrentar um mundo que, infelizmente ou felizmente, não é nada parecido com um conto de fadas. É o mundo de verdade e que exigirá de nós muita ousadia e força de vontade. E isso nós temos de sobra!
Assim como o dia 16 de abril de 2012, quando os nossos corações estavam repletos de felicidade por estarmos dando início a um novo ciclo; hoje, dia 30 de abril de 2016, quatro anos depois, os nossos corações enchem-se de felicidade por estarmos fechando esse ciclo.
Mas antes de finalizar este texto, preciso cumprir uma promessa: responder à pergunta feita por Renato Russo e Cássia Eller:
“Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o ‘pra sempre’ sempre acaba? ”.
Em nome dos formandos aqui presentes, eu respondo com toda a certeza do meu coração: “Sim, eu lembro! Tivemos a audácia de, durante quatro anos, acreditar que esse “pra sempre” nunca acabaria; mas, pelo que parece, ele está acabando”. No entanto, com a ousadia que adquirimos dentro dessa instituição, mudaremos o rumo dessa história e faremos com que seja, sim, para sempre. Só depende de nós! Por isso, peço que nunca nos esqueçamos dessa época. Façamos com que seja para sempre! Que, quando o verde da nossa farda tiver dado, por completo, lugar ao branco e o cheiro de guardado estiver impregnado nela, possamos olhar para as nossas fotos no IFRN e nos lembrarmos com amor da “Melhor Fase de Nossas Vidas”! E, parafraseando os músicos brasileiros já antes citados, lembrem-se: “Estamos indo de volta para casa, mas nada vai conseguir mudar o que ficou!”.

Queridos amigos técnicos-cidadãos, a nossa viagem no tempo chegou ao presente, mas desejo fielmente que o nosso próximo encontro seja em um futuro brilhante! Muito obrigada!